quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Sobre a fantasia de carnaval e como o amor não nos livra dos equívocos / About the Carnival costume and how love doesn’t exempt us from mistakes


A adoção é um ato de amor. No Brasil, país onde, de acordo com o Senado Federal, mais de 60% das crianças a espera na fila de adoção, são crianças negras, em especial meninos negros acima dos dois anos de idade, adotar uma criança negra é um ato de amor ainda maior e merece ser reconhecido como tal.
Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas de postagens contrárias e favoráveis a um casal de pais adotivos que decidiu pular o carnaval vestidos como Aladin e Jasmine, os personagens do desenho Disney Aladin, levando juntos seu pequeno filho para curtir a folia, como tantos outros pais fazem nos carnavais de rua por todo o Brasil. Não haveria ato mais sublime e carinhoso se não fosse o fato de eles terem vestido seu filho como o personagem Abu, o pequeno macaco que acompanha Aladin em suas aventuras.
Ao perceber a indignação de manifestantes negros que se revoltaram com o ato impensado, o pai, Fernando Bustamante criou uma postagem pública em sua conta no Facebook, se desculpando por ter ofendido alguém e dizendo o quanto ama o seu filho e afirmando que não viu Abu como um macaco, mas como o melhor amigo de Aladin e que assim com essa ternura quis representar seu filho. Após nova enxurrada de protestos, dessa vez em proporções internacionais com sites franceses e americanos repercutindo o assunto, o pai volta a se pronunciar e em sua página do Facebook, em um texto onde narra a insônia que o acomete em meio a mensagens de “ódio” e “amor” que tem recebido e questiona o que realmente motivou a comoção pública, se o fato de ele ser branco, se o fato do menino ser negro, se ambos, ou se uma falta do que ela chama de “idealismo utópico”. Em outras palavras, ele, ainda não consegue ver a gravidade da ação.
Mas qual a gravidade real da ação cometida por Fernando?
No desenho Aladin, ao contrário de outras fábulas infantis onde animais são representados com características emocionais e físicas de seres humanos, o personagem Abu não é representado como nada, além daquilo que é realmente visto na tela, um pequeno macaco. Abu não tem falas, Abu rouba objetos, Abu em determinados momentos é enjaulado, enfim Abu não é um macaco representando uma criança, um amigo ou um ato de amor, Abu é apenas um macaco. Surgem então as próximas dúvidas de Fernando e das demais pessoas que não entenderam a polêmica. Qual o problema em vestir uma pessoa negra de macaco?  O que seria diferente se o menino vestido como Abu fosse branco?
Para encontrar a resposta para essas perguntas é necessário viajar no tempo e retornar ao século XIX e entender o que é o racismo científico, de acordo com o Prof. Dr. Kabengele Munanga, em seu texto Uma abordagem conceitual das noções de “Raça, Racismo, Identidade e Etnia”, ainda entre os séculos XVI e XVII o conceito de raça passa a ser usado para exemplificar a “diversidade humana”, de acordo com o autor “o conceito de raças puras” “foi transportado da botânica e da zoologia para legitimar as relações de dominação e de sujeição entre classes sociais”, posteriormente o conceito foi aplicado para entender a diferença entre povos de diferentes raças baseados em suas características físicas.
Durante o século XIX essas definições se somam a teoria Darwinista de evolução das espécies e de forma deturpada gera o chamado Darwinismo Social, onde as características físicas de diferentes povos da humanidade eram vistas como traços que demonstravam quão perto esses povos estariam de serem considerados seres humanos. No caso, no topo da cadeia evolutiva estaria o homem branco, um ser evoluído e completo e no início desta cadeia, mais próximo dos animais, estaria o homem negro, quase em um estágio primata, comparado apenas ao macaco. Para exemplificar esse pensamento racista, eram usados como justificativas as medidas do cérebro e das características físicas como mãos, pés e cabeça. Assim, passou-se a acreditar que seres humanos negros eram o mais próximo na teoria evolutiva dos macacos. Esses seres humanos passaram a ser então, investigados, objetificados, enjaulados em zoológicos humanos, tudo justificado por sua ausência de humanidade.
É um fato conhecido, a maneira como discursos acadêmicos e científicos se tornam conceitos indiscutíveis e se embrenham na realidade da sociedade, dessa forma a partir daquele momento, apelidar negros como animais, em especial como macacos se tornou algo comum na realidade da sociedade mundial e dessa forma foi transmitido de geração em geração. Dessa maneira, é possível encontrar em toda a diáspora africana a mesma nomenclatura para ofender negros, seja macaco no Brasil, macaquito na América Latina ou Jigaboo nos Estados Unidos, todas as expressões tem o mesmo sentido, desumanizar negros como forma de ofensa racista. Por isso, a conotação e o peso por trás da palavra seriam completamente diferentes se a criança fosse um menino branco.
Isso significa que Fernando não ama seu filho? Não, ao contrário Fernando com certeza teve amor o bastante para escolher seu filho, para desejar aquela criança e amá-lo com todo o amor que pais que desejam filhos, sejam eles biológicos ou não, podem ter. Contudo, mesmo pessoas que amam incondicionalmente, até mesmo os pais cometem equívocos.
Ativista do movimento negro, Beatriz Caixeta é conhecida por suas postagens críticas na internet com relação a atos de racismo. Adotada ainda na infância por uma família branca, a ativista diz se sentir chocada com a imagem divulgada na internet, em especial pela falta de compreensão dos pais que em sua perspectiva não compreenderam a gravidade de reforçar um estereótipo que atinge apenas a população negra.
“Eu como filha adotiva tenho certeza que eles não fizeram com esse propósito ao estereotipar a criança. Minha família nunca quis que eu fosse a macaca ou a empregada, ou a negrinha, ou a que se sujou no mato, como eles se referiam quando perguntavam porque eu era "mais escura" do que eles.  Minha família me ama, mas é branca.  E eu sofri duas vezes... Por ser negra e por ser criada por eles, mesmo tendo todos os privilégios que a branquitude deles me  deu. Eles são brancos.  Vivem numa sociedade (aqui na minha cidade)  só de brancos,  não tem nenhuma ou pouca relação com Negros e portanto não sabem como o racismo nos afeta. Tudo sempre foi uma Brincadeira.  E eu levei assim até me descobrir negra.”
Para Beatriz, ainda que a atitude seja indefensável, é preciso compreender as relações raciais entre pais de outras etnias e filhos adotivos negros. “Meus pais tem culpa? Não. Minha família tem culpa? Não.  A sociedade tem culpa. E lógico que indiretamente eles também. O meu discurso aqui pode até parecer que eu os estou defendendo,  mas não estou. O meio em que eles estão inseridos é esse, branco. Como vão saber lidar com o racismo?”. Questiona Bea. A afirmação de Bea traduz a incompreensão apresentada por Fernando. Ele não conseguiu entender o racismo por trás de sua atitude, porque como homem branco, nunca sofreu racismo, e ninguém nunca tentou retirar sua humanidade o comparando com o animal. A Fernando ninguém nunca atirou bananas, nem chamou de macaco durante uma partida de futebol.
Contudo, como menino negro que se tornará um jovem e um homem negro, o filho de Fernando, possivelmente irá sofrer racismo, muitas vezes com esse mesmo insulto, diversas e diversas vezes em sua vida, afinal homens e mulheres negras são ofendidos dessa forma diariamente. A ação de Fernando ainda que inconscientemente reforça esse estereótipo e legitima a atitude que muitos racistas podem vir a ter com seu filho no futuro. Ela também, ajuda a criar problemas na autoestima da criança que desde cedo pode se sentir inferiorizado pela cor da sua pele, pela maneira como é tratado e percebido em uma sociedade racista e excludente.
“A gente que é adotada não tem uma identidade bem formulada. Menos ainda quando são famílias de outras etnias e menos ainda quando a sociedade não quer nem que a gente viva, quem dirá que sejamos amados e queridos por quem deveria nos matar.”, afirma Bea.
Apesar de preocupada com a ação impensada do casal, a ativista demonstra preocupação ainda com a atitude de alguns militantes que prefeririam usar de agressividade para com a família, o que segundo ela, pode fazer o efeito contrário ao desejado.  “Fiquei bem reflexiva também em relação a como o movimento negro tem abordado esses temas com essas pessoas, de forma violenta, o que faz com que essas pessoas mais se afastem do que se unam. Não estou dizendo que essas questões não devem ser enfatizadas, mas há uma forma mais adequada de se fazer”, afirma Bea.
Ao ser questionada sobre qual seria a melhor forma de orientação para pais adotivos de crianças negras, Bea afirma acreditar que possivelmente a curto prazo, um curso de orientação pudesse ajudar nessa construção, mas que talvez isso possa criar novos empecilhos no sistema de adoções. Para a ativista a solução é “continuar na luta contra o sistema racista”.
No caso da família mencionada, não há como voltar atrás e desfazer o ato que já foi feito. Apagar a foto do Facebook, não irá diminuir a gravidade do ocorrido e se entristecer com as mensagens agressivas que podem sim muitas vezes ultrapassar os limites também não. Mas como prova de amor por seu filho e como prova da luta pela igualdade que afirma tentar buscar, esses pais e tantos outros pais que vivem a mesma situação, podem tentar aprender como entender as diferentes dinâmicas que o racismo é capaz de apresentar e entender também a diversidade da relação na qual estão inseridos e as particularidades da vida da criança que escolheram como filho, pois cabe a eles a responsabilidade de tentar preparar o seu filho para o futuro e as adversidades que possam vir a atingi-lo, o que inclui também como pais de crianças negras a luta diária contra o racismo.
*Matéria postada originalmente em 10/02/2016 em http://www.afrobrasileiros.net.br/det.asp?cod=456&caminho=entretenimento




Adoption is a love act. In Brazil, a country where according with the Federal Senate, more than 60% of the children waiting in the adoption line are Black, especially Black boys over two years old, to adopt a Black child is an even bigger love act and must be recognized in this way. 
In these past days, social media was taken by posts supporting or refusing a couple who are adoptive parents that decided to celebrate carnival dressed as Aladdin and Jasmine, the characters in the Disney, Aladdin cartoon. With them, they took their little son to enjoy the party, as many other parents were doing in street carnivals in Brazil. It wouldn’t be a more sublime act if wasn’t the fact that they decided to dress their child as the character Abu, the little monkey that follows Aladdin in its adventures. 
Realizing the indignation of Black activists who were revolted with this precipitate act, the father, Fernando Bustamante created a public Facebook post apologizing for possible offend someone and saying how his love his son and affirming that he didn’t see Abu as monkey, but as Aladdin’s best friend and that he tried to represent his child with this tenderness. After a new flood of protests, in this time with international proportions in France and U.S websites talking about the subject, the father created a new post where he tells how he was restless because of the “hate” and “love” messages that he has been receiving and he questions if what really motivated the public commotion was the fact that he was white, the fact that he was Black, if both or if a lack of what he calls “utopic idealism”. In other words, he still can’t see how grave his action was. 
But was Fernando action really bad?
In Aladdin, different from other children’s fable, where animals are represented with physical and emotional characteristics of human beings, the character Abu isn’t represented as anything else than what we really see in the screen: A little moneky. Abu doesn’t speak, Abu steal things, Abu is some moments is put in a cage, so Abu isn’t a monkey that represents a child, a friend or a love act, Abu is just an ape. Come then, the next doubts that Fernando and other people who didn’t understand the polemic can have. What is the problem in to dress a Black person as a monkey? What would be different if the boy dressed with the Abu costume was white?
To find the answer to these questions we need to travel in the time and go back to the 19 century to understand what the scientific racism is. According to Dr. Kabengele Munanga, in his article Uma abordagem conceitual das noções de ‘Raça, Racismo, Identidade e Etnia’, “between the 16 and 17 century the concept of race started being used to exemplify the “human diversity”, according to the author “the concept of pure races were transported from botanic and zoology to legitimate the relations of domination and subjections among social classes”, according to him posteriorly the concept was applied to understand the races observing their “physical characteristics”.
During the 19 century these definitions were added to the Darwinist theory of species evolution and in a distorted way originated the called Social Darwinism, where the physical characteristics of different people in the humanity were perceived as marks that demonstrated how close these groups would be of being considered human beings. In this case, in the top of the evolutionary chain would be the white man, an evolved and complete being, and at the beginning of this chain, close to animals would be the Black man, almost in a primate stage compared only with a monkey. To exemplify this racist thought they used as justifications the measures of the brain, and physical characteristics as hands, feet and head sizes. In this way, people started to believe that in the evolutionary theory Black human beings were closer to monkeys. These human beings started being investigated, objectified, caged in human zoos, and everything was justified by the absence of humanity.
It is a known fact the way how academic and scientific speeches become indisputable concepts that are intrinsic to the reality of the society. In this way, from that moment, to nickname Black people as animals, especially using the expression monkey became something common in the reality of the world society and it was transmitted from generation to generation. In this sense, it is possible to find in the whole African Diaspora the same nomenclature to offend Black people, either macaco in Brazil, macaquito in Latin America or Jigaboo in the U.S, all these expressions has the same meaning, remove humanity from Black people as a racist offense. For this reason, the connotation and the gravity behind this word would be completely different if the child was white.  
Does it mean that Fernando doesn’t love his son? No, as the opposite, Fernando had love enough to choose his son, to wish that child and love him with all the love that parents, who wish children have, no matter if they are biological or adopted. However, even people who love unconditionally, even parents can make mistakes.  
Activist in the Afro Brazilian political movement, Beatriz Caixeta is known for her critical posts on social media about racist acts. Adopted in her childhood by a white family, the activist felt shocked with the image posted on interne, especially for the lack of comprehension from the parents that in her perspective didn’t understand how serious is to reinforce a stereotype that only affects the Black population.
“I’m sure as an adopted daughter that they didn’t do this with the purpose of stereotype this child. My family never wanted me being a monkey, or the housekeeper, or the little black, or the one who made herself dirty in the grass, as they used to say when people asked why I was darker than them. My family loves me, but they are white. I suffered twice... because I was Black and because I was raised by them, even if I had all the privileges that their whiteness gave to me. They are white. They live in a only white society (here in my city), they don’t have any or have a few relation with Black people and for this reason they don’t know how racism affect us. Everything was always a joke and I also understood in this way until I realized I was Black.”
To Beatriz, although the parents action are indefensible it is necessary to understand racial relations among parents from other ethnicities and Black adopted children. “Are my parents guilt? No. Is it my family fault? No. It is the society fault. And of course indirectly is also their fault. It can look like if my speech was to deffend them, but I’m not doing it. The middle where they are inserted is this, white. So, can they know how to deal with racism?” questions Bea. Her affirmation translates the incomprehension presented by Fernando. He couldn’t understand the racism behind his action, because as a white man, he never suffered racism, nobody ever tried to remove his humanity comparing him to an animal. Nobody never throw bananas on him, or called him a monkey during a soccer game.
However, as a Black boy, that will become a black teenager and a Black man, Fernando’ son will possibly face racism, some time with this same insult, several times in his life, considering that Black men and women are offended daily with this kind of offense. Even Fernando’s action was unconsciously it still reinforces the stereotype and legitimates a racist action that several people can have with his child in the future. This action also helps to create problems in the child self-esteem that really early can feel inferior because of the color of his skin and the way he is treated and perceived in a racist and exclusionary society.
“We who are adopted, we don’t have a formulated identity. It is worst when we have families from other ethnicities, especially when the society doesn’t want us alive, either that we are loved and wished by people that should kill us”, affirms Bea.
Although she is worry about the unthinking action of the couple, the activist shows her concern with the attitude of some activists that preferred to use a more aggressive tone with the family, what according to her can have an effect that is exactly the opposite of the one who was wished. “I reflected about the Black movement action when approaching these people, in a violent way, because it can makes people move away more than unify us. I’m not saying that these questions shouldn’t be emphasized, but there is more adequate ways to do it”, affirms. 
When questioned about what would be the best way to guide adopted parents of Black children, Bea affirms to believe that in a short term, orientation courses could help in this construction, but she also thinks that it can create new barriers in the adoption system. For the activist the solution is “keeping fighting against the racist system”.
In the case of the mentioned family, there is no way to return and undo the act that was already done. Erasing the Facebook picture won’t diminish the gravity of what happened, and neither being sad about the aggressive messages that sometimes can really overpass limits. But as a love prove by his son and as a prove of the struggle for equality that he affirms to have, these parents and many other parents that live the same situation, could try to learn how to understand the different dynamics that racism is able to present and understand also the diversity of the relation where they are inserted and the particularities of the life of the child that they choose as son, because is up to them to take responsibility in prepare their child to the future and the adversities that can reach him, and that includes also as Black children parents, the daily fight against racism.

*This article was originally published in 02/10/2016 at http://www.afrobrasileiros.net.br/det.asp?cod=456&caminho=entretenimento

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A força das Mulheres Negras / Black Women' strength

Mais de 50 mil mulheres se dirigiram a Brasília para denunciar o racismo, o machismo e a violência que nos aflige e apresentar reivindicações de soluções para esses problemas.


E na última quarta-feira 18 de novembro, Brasília parou ante a força das mulheres negras. Ali, cerca de 50 mil mulheres marcharam, como protagonistas de sua história acompanhadas de seus aliados, que incluíam mulheres de outras etnias, homens negros e ativistas de diferentes movimentos sociais.
A Marcha que teve como meta principal a luta contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, foi o resultado de uma mobilização que ocorreu durante mais de um ano. Iniciado por organizações que fazem parte do movimento de mulheres negras, a marcha focou na denúncia da violência que nos agride de forma interseccional, já que somos aquelas que nunca serão apenas mulheres ou apenas negras, mas ao contrário somos a base da pirâmide das aflições que atingem o nosso povo.
Abrilhantadas pelo protagonismo do nosso dia de festa, mulheres negras oriundas de diferentes cenários marcharam juntas pacificamente em prol de um único objetivo. Ali, caminharam lado a lado, mulheres negras: heterossexuais, lésbicas, transexuais, bissexuais; de religião de matriz africana, ateias, católicas e evangélicas, gordas e magras, portadoras de necessidades especiais ou não, mulheres jovens e idosas, marcharam também crianças negras e famílias completas representando um intercâmbio geracional. Todas com o mesmo objetivo denunciar a exclusão de nossos corpos que persiste na sociedade.
Nos carros de som, autoridades como a Ministra Nilma Lino Gomes, que comanda as pastas da Igualdade Racial, das Mulheres e dos Direitos Humanos, Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres e a Consulesa da França, Alexandra Loras se juntaram  as vozes de ativistas para demonstrar a importância da mobilização das mulheres ali presente.
A Marcha foi coroada ainda por um encontro da liderança de Mulheres Negras com a presidenta Dilma, onde foram colocados pontos decisivos recolhidos durante os encontros preparatórios para a marcha nacional.
Em meio a fala de diferentes manifestantes, a música oficial da marcha criada pela MC Luana Hansen, narrava a motivação daquelas que ali decidiram estar.  Com o refrão “Marchar contra o racismo, eu vou, marchar contra a violência, marchar pelo bem viver, pelo bem viver, pelo bem viver”, a música foi uma das canções que embalou a multidão nos mais de cinco quilômetros de caminhada.
Nossa chegada na praça dos Três Poderes foi recebida covardemente com bombas e tiros, por aqueles que representavam exatamente o porquê de lutarmos contra o racismo e o patriarcado. Esses cidadãos covardes se sentiram intimidados por nada mais do que nossos corpos pretos em marcha. Ali ao contrário do que foi relatado pela grande mídia, não houve confronto, houve ao contrário um ataque direto a mulheres idosas e crianças que caminhavam juntas em harmonia e não possuíam nenhum tipo de arma para se defender.
Mas o ataque que surgiu como uma forma de desmobilizar e desqualificar nossa luta, não foi o suficiente para apagar o brilho daquelas que ali festejavam. A marcha seguiu de volta ao seu local de origem onde a festa foi coroada com apresentações musicais.
Como participante da Marcha das Mulheres Negras 2015, posso apenas partilhar a emoção que ainda toma conta de mim. Ali vi milhares de mulheres que assim como eu tem dedicado a sua vida a lutar por justiça e igualdade para nosso povo.  Vi nossas mais velhas e nossas mais novas caminhando juntas, segurando as faixas que representavam nossas reivindicações. Marchar lado a lado com tantas irmãs traz uma sensação grande de pertencimento e de solidariedade. Nos traz também à lembrança a força e coragem que nos acompanham e que permite que mulheres negras sejam a força motriz do Brasil por mais de cinco séculos. Nossas pautas, nada mais são do que a somatória daquilo que nos aflige no cotidiano. Ali marchamos todas juntas pelo bem da comunidade que temos gerado, não apenas em nossos ventres, mas também em nossa mente, em nossa alma e nos nossos corações.

Artigo publicado originalment no portal AfroBrasileiros: http://www.afrobrasileiros.net.br/det.asp?cod=121&caminho=mulher


More than 50 thousand Women went to Brasilia (capital of Brazil) to denounce racism, sexism and violence that affect us and to present requests to solve these problems.

Last Wednesday, November 18, Brasilia stopped when facing Black Women’ strength. There, around 50 thousand Black women marched as protagonists of their history followed by their allies that included women from other ethnicities, Black men and activists from different social movements.
The March had as main goal the struggle against Racism, Violence and for a well living, and it was the result of a mobilization that happened for more than one year. Started by organizations that are part of the Brazilian Black Women’s movement, the March focused in to denounce the violence that reach us in an intersectional way, considering that we are those that never will be only women or only Black, but as the opposite we are the base of the pyramids of afflictions that affect our people.
Enhanced by the role of our party day, Black women from different scenes marched together peacefully, celebrating a same goal. There, we had walking side by side, Black women who are: heterosexual, lesbian, transgender,  bisexual; from Afro Brazilian religions, atheists, catholic, evangelical; overweight, slim; with disabilities or not, young and elder, and also Black children and families representing a generational exchange. All them with the same goal: to denounce the exclusion of our bodies that still persists in the society.
In the sound trucks, authorities such as the Minister of Human Rights, Women and Racial Equality Nilma Lino Gomes, the UN women director’s Phumzile Mlambo-Ngcuka and the Consul of France, Ms. Alexandra Loras got together with other activists voices to demonstrate the importance of the mobilization of the women who were there.
The March was crowned by a meeting of the Black women’s leadership and the president of Brazil Dilma Roussef, where they were able to present important points that were caught during the preparation to the national march in each state.
Among the speeches of the participants, the official song of the March was echoing in the cars. The lyric created by MC Luana Hansen was narrating the motivation of those who decided to be there.  With a chorus that says “I will march against racism, I’ll march against violence, I’ll march for well living, well living, well living”, the song was one of the several songs that was sang by the crowd that walked more than 3 miles.
When we arrived in the Três Poderes square we were cowardly received with stun bombs and shots for those who were representing exactly the reason why we were fighting against racism and patriarchy. Those coward citizens felt intimidated by anything else than our Black bodies marching. In the opposite that the hegemonic media said, there wasn’t confrontation, what happened was a direct attack to elder Black women and children that were walking harmoniously and didn’t have any kind of gun to protect themselves.
But this attack that happened as a way to stop our mobilization and disqualify our struggle wasn’t enough to erase the light of those who were there celebrating. The march followed back to its original place where the party was crowned by musical performances.
As a participant of the Black Women’s March 2015 I only can share the emotion that is still taking me. There I saw thousands of women that as myself has been dedicating their lives to fight for justice and equality to our people. I saw our elders and our youth walking side by side, holding banners that were representing our claims.
Marching side by side with so many sisters brought to me a feeling of belonging and solidarity. With also remind us the strength and the courage that follow us and that allow Black women being the energy that drives Brazil in these past 5 centuries. Our agenda, is a report of what have been affecting us daily. We marched there together for the good of the community that we have been generating not only in our bellies but also in our  minds, souls and in our hearts.

 This article was originally posted at the website Afrobrasileiros http://www.afrobrasileiros.net.br/det.asp?cod=121&caminho=mulher





domingo, 1 de novembro de 2015

Contra o racismo e a xenophobia no país onde negros não são bem-vindos / Against racism and xenophobia in the country where Black people aren't welcome

Eu sei que já faz um tempo desde que escrevi um post apropriado, mas gostaria de partilhar essa experiência.

I know has been a while since I wrote an appropriate post, but I would like to share this experience.


E hoje foi assim de arrepiar. Um dia que com certeza me marcou muito.
Pela manhã atendi ao chamado do irmão Luiz de Jesus pra participar da ação do grupo VOAH - Voluntários Amigos dos Haitianos.
Nos reunimos na Av. Paulista para protestar contra a morte de Fetiere Sterlin e o racismo e a xenofobia que atinge os imigrantes haitianos e africanos de diferentes países que chegam ao Brasil.
Ali gritamos palavras de ordem e questionamos o por que de em um país de imigrantes, apenas os imigrantes negros não serem bem-vindos.
Permitimos que nossos irmãos do Haiti, do Congo, de Angola, de Cuba contassem suas histórias e narrassem a razão de virem para o Brasil como imigrantes e como refugiados.
A Paulista estava cheia de pessoas que se divertiam com a avenida fechada, a chuva caía, mas nós continuamos ali parados em frente ao MASP. Ali na fila de entrada para o museu, dezenas de pessoas acompanharam o nosso manifesto.
E aos poucos as caras que estavam fechadas pensando na interrupção do lazer, começaram a se tornar ouvidos atentos, muitos dos que estavam na fila se viraram em nossa direção para ouvir o que estava sendo dito. Muitos pedestres interromperam seu passeio na paulista para prestar atenção ao protesto.
Mas, ao meu ver o mais lindo, foi ver as pessoas se achegarem, pessoas diversas foram se juntando a nós de alguma forma, alguns compraram uma camiseta de apoio aos refugiados, outros se dispuseram a segurar os cartazes e outros decidiram pedir a palavra e contar a história de imigração de suas próprias famílias, para pedir o fim da xenofobia e do racismo. Apesar de alguns equívocos com relação a democracia racial e coisas do tipo, a maioria das falas foi pertinente e demonstrou solidariedade.
Confesso que deu um fio de esperança!
Ao sair da Paulista, segui em direção a Z. Leste para trabalhar e no ônibus que entrei havia um casal africano. Eles olharam para mim viram meus brincos do continente africano e sorriram, eu sorri de volta e a moça que se chama Karina disse, África, eu sorri e falei sim. Perguntei de onde eram eles disseram que eram do Congo e eu me aproximei e rapidamente contei o que tinha sido o protesto, o que é o Voah e como estamos tentando ajudar, perguntei se o Brasil os estava tratando bem, falei do racismo, mas também falei que nós negros estamos dispostos a ajudar.
Eles pediram meu contato, trocamos telefone e eu desci no meu ponto.
Entendi assim que essa foi a forma do Pai confirmar aquilo que havia acontecido antes. E que nossa mão estendida representa a mão DEle que se estende em direção aos nossos!


Today was such an amazing day that certainly marked me.
In the morning I answered the call from my bro Luiz to participate in a protest leaded by the Voah group, Volunteer Friends of Haitian People.
We met at Paulista Avenue to protest against the death of Fetiere Sterlin and against the racism and xenophobia that is reaching Haitian immigrants and African immigrants from different countries thata are coming to Brazil.
Once we were there we screamed order words and we argued why in a country of immigrants, only Black immigrants aren’t welcome.
We opened the mic to our brothers and sisters from Haiti, Congo, Angola, Cuba and asked them to share their history telling us the reason why they came to Brazil as immigrants or refuges.
Paulista Avenue was full of people who were enjoying the closed avenue, the rain was falling but we were still there standing in front of the Art Museum. In the line, several people started to pay attention in our protest.
In few moments the angry faces (thinking about a group who was stopping their leisure) became attentive ears and a lot of people who were in the line turned to us to hear what was being said. Several pedestrians stopped their walk to pay attention in our protest.
But, for me, the most beautiful moment was seen the people that arrived to join us, diverse people joined us in any kind of way, buying refugees t-shirts, or showing availability to hold posters, others asked to say something and tell the history of immigration of their own family, asking the end of xenophobia and racism. Although some of the comments were equivocated when talking about racial democracy and things like that, most of them were pertinent and demonstrated solidarity.
I confess that it gave me some hope!
When I left Paulista Avenue, I followed to the East side of the city to work and on the bus I met an African couple. They looked to my African continent Earrings and smiled and smiled back, the lady named Karina whispered Africa and I smiled and said yes. I asked where they were from and they told me they were from Congo and I got closer and told them about the protest, the vonluteer group and how we are trying to help, I also asked if Brazil were treating them well, talked briefly about racism, but also told them that we as Black people are here to help.
They asked my contact, we changed numbers and I left on my stop.
I understood that it was the way that the Father found to confirm what had happened before, and that our hands reaching out them, were representing His hands that are taking care of our people!





segunda-feira, 27 de julho de 2015

Petição Contra Exhibit B / Petition Against Exhibit B

Gente,
Um grupo de ativistas negros brasileiros está se manifestando contra a exposição Exhibit B. Que está recrutando atrizes e atores negros sob a desculpa de realizar um protesto, para exibi-los em jaulas, reproduzindo os zoológicos humanos que existiram na Europa durante o período colonial.
Esse espetáculo já foi proibido em diferentes lugares da Europa e em todos os lugares o Movimento Negro tem se manifestado contra ele.
Aos que puderem assinem essa petição contra esse absurdo.
Leia aqui o texto que acompanha a petição:

Por que isto é importante

Cancelado em Londres e Paris e em grande parte da Europa após expressivas manifestações de repúdio, o espetáculo de Brett Bailey, Exhibit-B, recria as atrocidades sofridas na escravidão com atores negros, mudos, enjaulados, amordaçados, agredidos e torturados num zoológico humano. Acreditamos e defendemos o princípio de que a dignidade humana deve ser defendida e preservada, e que o povo negro, que ainda resiste às sequelas do crime de escravidão, que no Brasil podem ser vistas tanto a olho nu quanto através das estatísticas, não precisa ser retratado num "zoológico", que reforçará a idéia covarde de que a história do negro começou na escravidão. O povo não precisa ver- se novamente agredido com a reprodução da covardia que foi um dia usada para dizimar milhares de seres humanos, que são assim como seus antepassados. Zoos humanos eram uma prática de entretenimento europeu que exibia negros como sendo uma espécie sub- humana. Cientes do apelo racista que levará curiosos à espiar "essa espécie" sob a (mascarada) licença artística, registramos nosso repúdio absoluto e esforços para impedir que o Brasil seja palco, financiado com dinheiro público, disso. Fora Zoo Humano! #ForaExhibitB #ForaZooHumano #Racismo #ContraExhibitB #ContraoZooHumano #BoicoteExhibitB #BoicoteZooHumano #BrettBaileyRacista

Para assinar a petição clique no link abaixo:
https://secure.avaaz.org/po/petition/MITSP_ESPETACULO_EXHIBITB_Cancelamento_do_espetaculo_exhibitb_Zoologico_humano/?syppoeb




Guys,
A group of Black Brazilian activists are getting together against the performance Exhibit B. This performance is recruiting Black actresses and actors under the excuse of organize a protest to exhibit them in cages reproducing the Human zoos that used to exist in Europe during the colonial period.
This performance was forbidden in different places in Europe and in all places the Black Movement is manifesting itself against it.
For those who can please sign this petition against this absurd.
You can read here the text that follow the petition:

Why is this important?
Canceled in London and Paris and most of Europe after expressive repudiation manifestation, the Brett Bailey, performance Exhibit-B recreates the atrocities suffered during the slavery with silenced, caged, gagged, abused, tortured Black Actors in a Human Zoo.
We believe and defend the principle that the human dignity needs to be defended and preserved, and that Black people, that still resist to the sequels of slavery, that in Brazil can be perceived not only with the naked eye but also through the statistics, don’t need to be pictured in a “zoo”, that will reinforce the cowardly idea that the history of the Black population started with the slavery. Black people don’t need to see themselves abused again with a reproduction of the cowardice that was used one day to exterminate thousands of human been that are their ancestors. Human Zoos were an European entertainment practice that used to exhibit Black people as a sub-human species. Aware of the racist appeal that will motivate curious people to watch “this species” under the (veiled) artistic license, we register our absolute repudiation and our efforts to stop that Brazil would be a stage (especially with public funding) of this. Get out Human Zoo! #OutExhibitB #OutHumanZoo #Racism, #AgainstExhibitB #AgainstHumanZoo, #BoycottExhibitB #BoycottHumanZoo #BrettBaileyRacist.


To sign the petition please click in the link below:

https://secure.avaaz.org/po/petition/MITSP_ESPETACULO_EXHIBITB_Cancelamento_do_espetaculo_exhibitb_Zoologico_humano/?syppoeb

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Entrevista para Revista Fórum -As nuances do racismo no Brasil e nos EUA / Forum Magazine Interview - The nuances of racism in Brazil and The U.S

Aproveito o espaço do blog para partilhar essa entrevista que tive o prazer de conceder para a Revista Fórum.
Ali, Jarid Arraes me pede para falar sobre minhas experiências pessoais como mulher negra de pele clara e também sobre temas como racismo na diáspora, Charleston, linchamento e outros.
Espero que vocês gostem.

http://www.revistaforum.com.br/semanal/as-nuances-do-racismo-no-brasil-e-nos-estados-unidos/




I would like to use this blog space to share this interview that I gave to the Forum Magazine.
Here, the interviewer Jarid Arraes asked me to talk about my experiences as a light skin Black woman and also about things like racism in the Diaspora, Charleston, lynching and others.
I hope you enjoy it.
P.S. It is still in Portuguese, but I will try to translate soon.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Eu tenho medo do colorismo / I'm afraid of colorism

Eu tenho medo do colorismo
Eu tenho medo pois só eu sei o que precisei para me identificar como mulher negra. Para me orgulhar do meu cabelo, da minha boca, do meu nariz.
Eu tenho medo pois só eu sei as chacotas que ouvi por conta dos meus traços.
Eu tenho medo, pois só eu sei o que é sofrer racismo sem ao menos saber que é racismo, se sentir perdida, ferida , acuada sem nem saber porque.
Eu tenho medo do colorismo, porque eu sei o quanto o processo de me descobrir como negra (e é essa a única palavra que posso usar) eu sei o quanto o processo de formação identitária foi libertador para mim,
Eu tenho medo do colorismo, porque apesar de reconhecer meus privilégios como mulher negra de pele clara e ao contrário do que muitos pensam eu sei sim que minha pele é clara e de saber que eu nunca vou sentir o que é ser negra de pele escura, também conheço minhas agruras, já tive sim gente me seguindo em loja pra ver se eu não ia roubar, já tive sim gente segurando bolsa, gente achando que eu estava seguindo, isso sem contar as micro agressões diárias, como rirem do black quando você sai na rua, oferecerem pente, tesoura, dizerem que você não lava o cabelo, te dizerem que não pode usar batom vermelho pra não ficar beiçuda e tantas outras coisas.
Eu tenho medo do colorismo porque eu também sinto a solidão a qual a mulher negra está exposta e me solidarizo com minhas irmãs de pele escura, pois sei que as chances dela serem preteridas é muito maior e em nenhum momento usufruo de minha aparência para conquistar homem nenhum. Ao contrário, já botei pra correr muito homem negro que só se interessou por mim por achar que eu era passável.
Eu tenho medo do colorismo, pois só eu sei as brigas que comprei muitas vezes dentro da minha própria família, para poder me gritar negra e conscientizar os que estão a minha volta.
Eu tenho medo do colorismo porque não acredito que a negritude se limite a uma tonalidade de pele, afinal ninguém questiona a branquitude de pessoas com diferentes, tons de pele, de olhos, tipo de cabelo, porque tem que se então questionar negritude?
Eu tenho medo do colorismo, pois sei que ele foi criado como ferramenta estratégica para nos dividir, que em qualquer lugar do mundo onde a presença negra se faz parte essa é uma ferramenta que exclui e segrega.
Eu tenho medo do colorismo.


I’m afraid of colorism
I’m afraid of colorism because only I know what I needed to do to identify  myself as a Black woman.  To be proud of my hair, my lips, my nose.
I’m afraid, because I’m the only one who knows the jokes that I heard because of my featuring.
I’m afraid because I know what is suffering racism without even know what is racism, how to feel lost, hurt, cornered without even know why.
I’m afraid of colorism, because I know how the process to realize that I was black (and this is the only word I can use) I know how this process of identity formation was emancipatory for me.
I’m afraid of colorism, because although I recognize my privileges as a light skin Black woman, because different from many people can think I know that I’m light skin and I know that I never will know what means being dark skin, but I also know my pain, that I also had people following me in stores to see if I was not going to steal anything , I also had people holding their purses, or thinking I was following them, and not mentioning yet the daily micro aggressions as people laughing on my hair, or telling me that I can’t use a red lipstick or I’ll have giant lips, and a lot of other things.
I’m afraid of colorism, because I also feel the loneliness that we as Black woman are exposed and I sympathize with my dark skin sisters because I know that their chances of being rejected are bigger and in any moment I try to use my appearance to get a man. Actually is the opposite, I rejected a lot of Black men who tried to approach me because they thought I could pass.
I’m afraid of colorism because I know how many fights I had even among my family to declare myself as black and help those who are around me to create conscious.
I’m afraid of colorism because I don’t believe that blackness is limited by one skin tone, because nobody question whiteness from white people with different skin tones, eye color, hair type, so why should we have our blackness questioned?
I’m afraid of colorism because I know it was created as a strategic tool to divide us, and that anywhere in the world where we have black presence, this is a tool to exclude and segregate.
I’m afraid of colorism.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Feliz dia do Jornalista / Happy Journalist Day

Hoje 7 de abril é dia do JORNALISTA. Nesse dia só posso dizer que não importa aonde eu ande, não importa o que eu tenha que vir a fazer para pagar minhas contas, o quanto eu caminhe por outros caminhos. No meu coração é isso que sou, essa foi a profissão que escolhi. SOU JORNALISTA, na alma e sinto dor em não poder exercer minha profissão como gostaria, porque nem sempre meu amor pelo jornalismo é retribuído.
Me lembro de quando estava no segundo colegial (entreguei a idade agora) e fui assistir uma palestra sobre profissões e ouvi um rapaz estudante de jornalismo dizer, que ser jornalista era viver uma vida sem rotina, que você poderia estar na cama e o telefone tocar e você ter que sair correndo, pois a matéria não poderia esperar até o dia seguinte. Naquele momento, tive a certeza absoluta de que era isso que eu queria ser. Eu queria ser JORNALISTA.
Ainda hoje nessa vida acadêmica, quando vou a eventos ou quando vejo algo interessante a primeira ideia na mente ainda é, "puta isso daria uma grande matéria", as vezes conversando com pessoas, com histórias que me fascinam penso, puxa isso tinha que ser publicado.
Hoje escrevo mais pro meu blog, pois a falta de tempo e oportunidade me fizeram seguir, mas ainda que algum dia eu não possa escrever em nenhum lugar vou escrever para mim, pelo prazer de cobrir, questionar e noticiar. É isso que eu sou, sou JORNALISTA.
Minha profissão me trouxe experiências incríveis, visitei lugares maravilhosos, conheci muitas pessoas, incluindo muitos que antes eram ídolos, fiz muitos amigos, então pondo na balança acho que os furos dos espinhos valeram a pena pra poder chegar perto das rosas. EU AMO SER JORNALISTA.
Parabéns a todos os amigos de profissão que também sofrem desse amor insano e muitas vezes não correspondido, em especial aqueles que já caminharam comigo e sabem o quanto é duro ser jornalista pret@ no Brasil.
Nesse dia só posso desejar que as redações voltem a ficar cheias de sonhadores que acreditam que o jornalismo é um caderninho de anotações (porque máquina de escrever é muito retrô e Ipad muito moderno eheheh) e grandes ideias e que coberturas o menos parciais possíveis ainda resultam na melhor notícia.
Feliz dia do Jornalista.

Today, April 7th is the JOURNALIST day. In this day I only can say that doesn’t matter where I go or what I need to do to pay my bills, how much I walk for other ways. In my heart this is what I’m, this is the profession that I chose. I’M A JOURNALIST in my soul and I feel painful because I can’t practice my profession as I would like because this love not always is reciprocal.
I remember when I was on high school and I watched a lecture about professions and I heard a boy who was studying journalism say, that being a journalist was to live a life without a routine, that you could be in bed and your phone rings and you need to leave because the new would not wait until next day.  At that moment I was absolute sure that it was what I wanted to be. I wanted to be a JOURNALIST.
Until nowadays, in this academic life, when I go to events or when I see something interesting my first idea is “man this would be a big new”, sometimes talking with people with fascinating stories I really think “gosh it should be published”.
Today I write more to my blog, because a lack of opportunity and time made me follow another path, but even if some day I can’t write anywhere I’ll write for myself, only for the pleasure of cover a new, question and write. Because this is who I’m, I’m a JOURNALIST.
My profession brought me amazing experiences, I visited great places, I met good people, including some that were my idols, I made a lot of friend so if I think about, I think that the hole of the thorns were worthy to get closer to the roses. I LOVE BEING A JOURNALIST
Congratulations to all my colleagues that are also affected by this insane love that most of time is not reciprocal, special those who have walked with me and know how hard is being a black journalist in Brazil.
In this day, I only can wish that our offices can be again full of dreamers who believe that journalism is a notebook (because a type machine is really old  school and an Ipad is to modern lol) and good ideas and that to cover news in a less partial way possible is still what give us the best new.
Happy Journalist Day.