terça-feira, 7 de abril de 2015

Feliz dia do Jornalista / Happy Journalist Day

Hoje 7 de abril é dia do JORNALISTA. Nesse dia só posso dizer que não importa aonde eu ande, não importa o que eu tenha que vir a fazer para pagar minhas contas, o quanto eu caminhe por outros caminhos. No meu coração é isso que sou, essa foi a profissão que escolhi. SOU JORNALISTA, na alma e sinto dor em não poder exercer minha profissão como gostaria, porque nem sempre meu amor pelo jornalismo é retribuído.
Me lembro de quando estava no segundo colegial (entreguei a idade agora) e fui assistir uma palestra sobre profissões e ouvi um rapaz estudante de jornalismo dizer, que ser jornalista era viver uma vida sem rotina, que você poderia estar na cama e o telefone tocar e você ter que sair correndo, pois a matéria não poderia esperar até o dia seguinte. Naquele momento, tive a certeza absoluta de que era isso que eu queria ser. Eu queria ser JORNALISTA.
Ainda hoje nessa vida acadêmica, quando vou a eventos ou quando vejo algo interessante a primeira ideia na mente ainda é, "puta isso daria uma grande matéria", as vezes conversando com pessoas, com histórias que me fascinam penso, puxa isso tinha que ser publicado.
Hoje escrevo mais pro meu blog, pois a falta de tempo e oportunidade me fizeram seguir, mas ainda que algum dia eu não possa escrever em nenhum lugar vou escrever para mim, pelo prazer de cobrir, questionar e noticiar. É isso que eu sou, sou JORNALISTA.
Minha profissão me trouxe experiências incríveis, visitei lugares maravilhosos, conheci muitas pessoas, incluindo muitos que antes eram ídolos, fiz muitos amigos, então pondo na balança acho que os furos dos espinhos valeram a pena pra poder chegar perto das rosas. EU AMO SER JORNALISTA.
Parabéns a todos os amigos de profissão que também sofrem desse amor insano e muitas vezes não correspondido, em especial aqueles que já caminharam comigo e sabem o quanto é duro ser jornalista pret@ no Brasil.
Nesse dia só posso desejar que as redações voltem a ficar cheias de sonhadores que acreditam que o jornalismo é um caderninho de anotações (porque máquina de escrever é muito retrô e Ipad muito moderno eheheh) e grandes ideias e que coberturas o menos parciais possíveis ainda resultam na melhor notícia.
Feliz dia do Jornalista.

Today, April 7th is the JOURNALIST day. In this day I only can say that doesn’t matter where I go or what I need to do to pay my bills, how much I walk for other ways. In my heart this is what I’m, this is the profession that I chose. I’M A JOURNALIST in my soul and I feel painful because I can’t practice my profession as I would like because this love not always is reciprocal.
I remember when I was on high school and I watched a lecture about professions and I heard a boy who was studying journalism say, that being a journalist was to live a life without a routine, that you could be in bed and your phone rings and you need to leave because the new would not wait until next day.  At that moment I was absolute sure that it was what I wanted to be. I wanted to be a JOURNALIST.
Until nowadays, in this academic life, when I go to events or when I see something interesting my first idea is “man this would be a big new”, sometimes talking with people with fascinating stories I really think “gosh it should be published”.
Today I write more to my blog, because a lack of opportunity and time made me follow another path, but even if some day I can’t write anywhere I’ll write for myself, only for the pleasure of cover a new, question and write. Because this is who I’m, I’m a JOURNALIST.
My profession brought me amazing experiences, I visited great places, I met good people, including some that were my idols, I made a lot of friend so if I think about, I think that the hole of the thorns were worthy to get closer to the roses. I LOVE BEING A JOURNALIST
Congratulations to all my colleagues that are also affected by this insane love that most of time is not reciprocal, special those who have walked with me and know how hard is being a black journalist in Brazil.
In this day, I only can wish that our offices can be again full of dreamers who believe that journalism is a notebook (because a type machine is really old  school and an Ipad is to modern lol) and good ideas and that to cover news in a less partial way possible is still what give us the best new.
Happy Journalist Day.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O que nos move a marchar? What does move us to march?

Feliz 2015.
Sei que a correria me fez passar muitos meses sem postar e infelizmente ainda não tenho como voltar a periodicidade do blog, o doutorado tem sido a prioridade e tive que tirar férias das redes sociais, mas achei que deveria encontrar um tempinho para escrever esse post.
Há alguns dias tive oportunidade de assistir ao filme Selma. O filme, que estreou aqui nos EUA no último dia 9 será lançado no Brasil no dia 25 de janeiro e conta a história da luta pelo voto nos Estados Unidos, em especial no Alabama.
O filme é marcante do início ao fim, nos lembra a luta daqueles que não se calaram para que muitos de nós ao redor do mundo encontrasse sua própria voz.
Eu assisti ao filme em Washington DC, capital dos EUA e no mesmo período tive oportunidade de visitar o Martin Luther King Memorial e o Abraham Lincoln Memorial, dois pontos turísticos na cidade que marcam a luta pelos direitos civis. Do alto do Lincoln Memorial é possível ver as marcas das pegadas de Luther King, pois foi ali que ele proferiu o discurso “I have a dream”, foi possível imaginar a multidão lá embaixo ouvindo as palavras ditas por ele.  Foram momentos de grande emoção, em especial, pois estava acompanhada de alguém que marchou naquele dia e pode me contar um pouco de sua experiência.
Essa somatória de eventos me fez parar e pensar: O que nos move a marchar? O que fez com que no passado milhares de pessoas fossem as ruas para clamar por direitos iguais? E o mais importante o que faz com que muitas vezes nós não tenhamos a disposição de fazer o mesmo?
Dentre muitos fatores, me veio à cabeça o fato de que a coragem para marchar naquele momento surgiu em um momento de necessidade, em um momento em que não se tinha nada, absolutamente nada a perder. As cartas estavam postas na mesa e a única coisa que restava era lutar contra a opressão. O que nos leva a marchar é o desespero.
Aí comecei a pensar nas migalhas que nós povos negros na diáspora temos recebido nos últimos anos, no Brasil com o mito da democracia racial praticamente durante toda nossa história moderna e nos EUA mais recentemente com o mito da sociedade pós racial. Mascaram o racismo, nos dão uma ou outra conquista e com isto baixamos a guarda.
Não é que não queremos lutar, é que nos fazem acreditar que não temos mais motivos.
Os protestos contra Ferguson aqui nos EUA, assim como a marcha contra o genocídio do povo negro no Brasil, nos mostram que nossos motivos ainda são os mesmos. O que precisamos é remover a maquiagem.
Estou me inteirando agora, sobre a Marcha das Mulheres Negras 2015 Contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, uma convocação geral que está sendo organizada por organizações dos coletivos de feministas negras brasileiras e que levará centenas de mulheres as ruas de Brasília, em novembro. Em sua convocação, elas deixam claro que querem a participação de todas as mulheres negras independente de sexualidade, religiosidade ou idade e que todos aqueles que quiserem participar também serão bem vindos, mas que o protagonismo será das mulheres negras. Me pergunto então quantas mulheres irão marchar? Quantas sairão de suas casas? O mais importante quantas saberão que precisam marchar? Que seus motivos ainda são os mesmos?
Construo esse post em solidariedade com essa e outras marchas, para que sirva como um ponto de reflexão sobre nossos motivos para marchar. Se o que nos leva a marchar é o desespero, então que nos desesperemos para que não esqueçamos que as migalhas não podem ser suficientes, que elas não devem mascarar a dor, que nossas mortes no passado e no presente não podem ser em vão. De que nossa voz ainda precisa ser ouvida.

Happy 2015
I know I have been a long time without write a post and unfortunately I still can’t come back to write periodically, my PHD is my priority now and I needed to take a break from social networks, but I thought I should find a time to write this post.
Some days ago I had the opportunity to watch the movie Selma. It was released in the U.S. in January 9 and will be released in Brazil next January 25. It tells the history of the struggle for the right to vote in the U.S., in particular in Alabama.
The movie is impressive from the beginning to the end and reminds us the struggle of those who didn’t shut up to help many of us around the world to find our own voice.
I watched the movie in DC and at the same time I had the opportunity to visit the MLK Memorial and the Lincoln Memorial, two touristic sites that are symbols of the civil rights movement. In the top of the Lincoln Memorial stairs it is possible to see the footprints of Dr. King, because it was there where he delivered his “I have a dream” speech and it was also possible imagine the crowd above him, listening to his words. They were really emotional moments, especially, because I had someone with me who had the opportunity to march on that day and could tell me a little bit about this experience.
The addition of all these events made me stop and think: What does move us to march? What did happen in the past to motivate millions of people to go to the streets and claim for their rights? The most important, what is happening nowadays that several times we don’t have the wish to do the same?
Among several facts, came to my mind the fact that that the courage to march on that moment came in a necessity time, in a moment when they didn’t have absolute anything to lose. The cards were in the table and the only thing that they could do was to fight against oppression.  What move us to march is desperation.
This made me thing about the crumbs that we as Black people in the Diaspora have been receiving in these past years, in Brazil with the myth of the racial democracy basically during our whole modern history and in the U.S. most recently with the myth of this post racial society. They mask racism, and give us one or another win and  in this way we put down our defenses.
Is not that we don’t want to fight anymore, it is that they make us to believe that we don’t have more reasons.
The protests against Ferguson here in the U.S. as well as the march against the Black Genocide in Brazil are examples that show us that our reasons to fight are still the same. What we need is to remove the make-up.
 I just heard about the 2015 Black Women March Against Racism, Violence and for Well live a general convocation that has been organized by Brazilian Black Feminists and that will take thousands of women to Brasilia, (the capital of Brazil) in November.  In their announcement that are requesting the participation of all black women apart of sexuality, religiosity or age and that all those who want to join the march are welcome, but black women are going to be the protagonists. So I wonder, how many women are going to march? How many women will leave their homes? Or the most important, how many women will understand that they need to march? Or that their reasons to march are still the same?
I construct this post in solidarity with this and other marches, I present it as a place for reflection about our reasons to march, If is desperation what move us to march, so, let us be desperate, don’t let us forget that crumbs can’t be enough, that they can mask our pain, that our deaths in the past and in the present can’t be in vain, that our voices have to be heard.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Partilhando: Venci um Concurso de Redação / Sharing: I won a Scholarship Essay Contest

Essa semana recebi a notícia de que fui a vencedora de um concurso de redação. Premiações e patrocínios para a pesquisa fazem parte da vida acadêmica aqui nos EUA, então isso é um passo importante para minha carreira. O tema da redação era Como estudar nos EUA irá ajudar a atingir suas metas profissionais.
Segue o link para o meu texto http://www.isvmag.com/08/18/margaret-w-wong-scholarship-winner-announced/7205

This week I received the information that I won the Margaret W. Wong Scholarship essay contest. It is an important step to my career. The topic for the scholarship was “How will studying in the United States help you achieve your career goals?”.
Here is the link to my essay
www.isvmag.com/08/18/margaret-w-wong-scholarship-winner-announced/7205

sexta-feira, 25 de julho de 2014

25 de julho Feliz dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha / July 25 Happy Afro Latin and Caribbean Woman Day

Para as minhas irmãs na caminhada só posso desejar um feliz 25 de julho, dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Que nesse dia, nós possamos lembrar a força que carregamos em nós, que lembremos a herança que nossas ancestrais nos deixaram. Como diria Jurema Werneck, "nossos passos vem de longe". Em toda a diáspora, foram mulheres negras como nós quem carregaram consigo a responsabilidade de cultivar nossa história, propagar nossos feitos e irmanar nosso povo. E é assim que devemos seguir, como agentes de nossa história. Sempre fortalecendo uma a outra na caminhada. Eu sou porque vocês são. Ubuntu! Mulheres negras irmanadas sempre.Nesse dia, partilho com vocês o documentário 25 de julho - o Filme - Feminismo Negro contado em primeira pessoa. Do qual tive a honra de participar.
https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U

To my sisters in this journey, I only can wish a happy July 25, International day of Afro Latin and Afro Caribbean women. I wish that on this day we can remember the strenght that we carry with us, that we can remember the inheritance that our ancestors gave to us. As Jurema Werneck would say "our steps come from far". In the whole Diaspora, were black women like us, who carried with them the responsibility of cultivating our history, propagating our achievements and congregating our people. We need to follow in this way, as agents of our own history. Strenghtening each other in the journey. I'm because you are. Ubuntu! Black women always congregated as sisters.Today I share with you the documentary, that I had the honor to participate: July 25 - The Movie - Black Feminism narrated in First person.

https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U


A mis hermanas en el camino sólo puede desear un feliz 25 de julio, día de Las Mujeres Afro de América Latina y el Caribe. Ese día, podemos recordar la fuerza que llevamos dentro de nosotras, recordamos el legado que nuestras antepasadas nos dejaron. ¿Cómo se ha dicho Jurema Werneck, "nuestros pasos desde lejos." A lo largo de la diáspora, fueron las mujeres negras como nosotras que llevan con ellas la responsabilidad de cultivar nuestra historia, nuestros logros y se propagan a nuestra gente a congregarse. Y así debe seguir, como agentes de nuestra historia. Siempre fortalecimiento entre sí para caminar. Yo soy porque tú eres. Ubuntu! Las mujeres negras siempre hermanadas.Ese día, comparto con ustedes el documental de 25 de Julio - La Película - Negro Feminismo contada en primera persona. Que tuve el honor de participar.

https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U

Pour mes sœurs à la marche ne peut souhaiter un joyeux 25 Juillet le jour des femmes noires en Amérique latine et dans les Caraïbes. Ce jour-là, nous pouvons nous rappeler la force que nous portons en nous, nous nous souvenons de l'héritage que nos ancêtres nous ont légué. Comment serait jurema Werneck, «nos traces de loin." Tout au long de la diaspora, étaient des femmes noires comme nous, qui portent avec eux la responsabilité de cultiver notre histoire, nos réalisations et nos gens se rassemblent propagent. Et il doit suivre, comme les agents de notre histoire. Toujours renforcer l'autre dans la marche. Je suis parce que vous êtes. Ubuntu! Les femmes noires toujours jumelées.
 Ce jour-là, je partage avec vous le documentaire de 25 Juillet - Le film - Black Feminism dit à la première personne. Que j'ai eu l'honneur de participer.

https://www.youtube.com/watch?v=J6ev2V-Ee3U 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Rainbow-Push Coalition 43rd Annual International Convention

It is a pleasure and a honor to announce that I was invited to be a panelist in the 43rd Rainbow-Push Coalition Annual International Conference. I'm going to talk about Human Rights for the Afro Brazilian population. If you are in Chicago please join us next monday June, 30 at 9.30 at the Sheraton Hotel. 
http://rainbowpush.org/index.php/pages/2245/

terça-feira, 29 de abril de 2014

O racismo e as bananas que não somos obrigados a engolir / Racism and the bananas that we don’t have to eat

Essa semana a mídia foi tomada por dois casos envolvendo racismo no esporte, não que esses sejam casos isolados, mas esses foram casos de grande repercussão.
Nos EUA, o dono do time de basquete Los Angeles Clippers, Donald Sterling, fez um comentário racista ao ver uma foto de sua namorada com Magic Johnson, afirmando que não gostaria de ver imagens dela no instagram com negros.
A mídia divulgou o caso e a imagem do empresário ficou manchada, seus jogadores se recusaram entrar em quadra com a camisa do time, o cantor que ia interpretar o hino nacional desistiu de cantar e Sterling não apenas sofreu críticas duras, como também foi banido da NBA pela vida inteira, não podendo nem comparecer aos jogos e ainda recebeu uma multa de 2,5 milhões de dólares.
Na Europa, o jogador brasileiro que atua no Barcelona, Daniel Alves foi atingido  por uma banana que foi jogada no campo pelos torcedores em uma clara intenção de chama-lo de macaco. Ele em uma reação de momento, pegou a banana, comeu e continuou jogando.
A mídia brasileira noticiou o caso como se racismo fosse algo que só acontecesse fora do país. Em pouco tempo o jogador Neymar decidiu “criar” uma campanha de apoio ao colega onde aparece comendo uma banana ao lado da frase somos todos macacos. A campanha, que mais tarde se revelou ser um case de uma agência de publicidades foi adotada por personalidades e artistas, incluindo o apresentador Luciano Huck que decidiu lucrar o caso, vendendo camisetas e outros produtos com a frase que supostamente ajudaria a combater o racismo.
O que essas reações dizem sobre os dois países?
Nos EUA, racismo não é crime, a pessoa tem o direito de se expressar garantido pela primeira emenda da constituição mesmo que seus comentários sejam racistas. Mas ainda que os EUA “pós-racial”, seja repleto de racismo, poucos ousam expressar esse sentimento, como Sterling fez, pois se declarar racista pega mal, as pessoas reparam, acham feio (ainda que elas pensem igual), os patrocinadores não investem mais na empresa e seu filme fica muito queimado.
No Brasil, ao contrário dos EUA, racismo é crime inafiançável, a pessoa que faz comentários racistas pode ir para a cadeia, então se a pessoa quiser ser racista até pode ser, mas não deve expressar, tem que morrer entalado com seu racismo. Porém como outras leis no país, essa também não funciona e poucos são aqueles que realmente foram punidos por isso.
Ao contrário dos EUA, no Brasil, ser racista não pega mal, é até engraçado, é uma coisa que você pode fazer amigavelmente, ser socialmente racista e quando a pessoa atingida reclamar você diz que ela não tem senso de humor, que o racista é ela e que na verdade somos todos iguais e ela que quer dividir o país.
Ao se banalizar uma ofensa racial como a campanha somos todos macacos faz, presta-se um desserviço à população negra, pois se nós somos todos macacos, nenhum de nós precisa se ofender com isso ou lutar contra a ofensa.
Ao ter autoridades como a presidenta da república realizando o ato de comer uma banana, o ato legitima a banalização sem respeitar a dor daqueles que passam sua vida inteira sendo chamados de macaco e o racismo vira comédia.
Contudo, ainda que esses casos demonstrem a maneira diferente como os dois países lidam com o racismo (um finge que já resolveu e o outro finge que ele não existe), há algo em comum nos dois casos, a participação passiva de negros que aceitam esse tipo de ação racista.
No caso de Donald Sterling, temos o presidente da NAACP Los Angeles (instituição histórica na luta pelos direitos dos afro-americanos) que diz que as doações financeiras feitas pelo empresário mostram que ele não é racista. Temos também a namorada do empresário, que mesmo sendo negra e conhecendo os atos racistas que ele cometeu no passado, continua ao seu lado aceitando esse tipo de atitude.
No caso brasileiro nós temos a figura de Neymar, jovem negro, que não se assume como tal, mesmo sendo vítima de atos racistas como esse diversas vezes. Neymar foi quem divulgou a ideia como algo sendo natural, sua presença legitima o fato de nos exporem ao ridículo. 
Ao associar o ato de comer a banana com a luta contra o racismo, minimiza-se a questão e banaliza-se o tema. O programa esportivo da maior emissora do país (e também a mais racista) diz que ao comer a banana Daniel Alves engoliu o racismo.
Esse é o ponto que o Brasil ainda não entendeu, nós negros não temos que engolir o racismo, o racismo é um veneno que nos mata um pouco a cada dia. O racismo não deve ser engolido, ao contrário deve ser jogado fora, combatido por meio de luta e resistência.
Quando a gente engole o racismo, ele fica lá dentro, encubado, germinando até sufocar aquele que o engoliu. Por isso, se alguém tem que engolir o racismo, que seja então o racista. Que ele se envenene sozinho com seu ódio.
Comer bananas ou engolir o racismo não colabora com nossa luta, ao contrário nos prejudica cada vez mais e desvaloriza a resistência daqueles que tem lutado para que o racismo seja extinto da sociedade. Por isso:
Não coma as bananas que os racistas estão dando pra nós!


This week the media was taken by two cases of racism in sports, not that it is a new fact, but these cases had a really huge impact.
In the USA the Los Angeles Clippers owner, Donald Sterling, did a racist comment when he saw a picture of his girlfriend with Magic Johnson, affirming that he wouldn’t like to see her picture associated with black people in instagram.
The media released the case and his image was compromised, his players refused to play with the team jersey, Tank decided don’t sing the national anthem and Sterling not only received rigorous critics but also was suspended from NBA for life and received a 2,5 million dollars fine.
In Europe, the Brazilian soccer player Daniel Alves, who plays in the Barcelona team, was reached by a banana which was throw in the field by the fans in a clear intention of call him a monkey. He in a moment reaction ate the banana and kept playing. (In Brazil and some latino countries call a black person a monkey is like call a black person a jigaboo in the US and throw a banana is similar to throw a watermelon for African Americans).
The Brazilian media noticed the case as if racism was something that only happens abroad. Soon, the soccer player Neymar decided “to create” a campaign to support his colleague where he appears eating a banana with the phrase we are all monkeys. The campaign that later was revealed as a marketing case was adopted by artists and personalities, including the entertainer Luciano Huck, who decided to make money with the case selling t-shirts and other products with the sentence that supposedly should help to combat racism.
What do these reactions tell about both countries?
In the US, racism is not a crime, the person has the freedom of expression guaranteed by the Constitution First Emend, although these comments are racist. However, even if the “post racial” US is full of racism, few people dare to show their feelings, as Sterling did, because declare themselves racist is something bad, people don’t like it, they think is terrible (even if they think in the same way), sponsors don’t want to give you money anymore and you get a really bad image.
Unlike the US, in Brazil racism is a non-bailable crime, the person who wants do racist comments can go to the jail, so if the person wants being racist the person can be, but can’t express the feeling, needs to keep it to them and being choked to death. However, this law doesn’t work, as other laws in the country and there are few people who were punished for racism in Brazil. 
Unlike the US, in Brazil, being racist is not so bad, it is actually funny, it is something that you can say in a friendly way, you can be a “social” racist and when the offended person complain you can say that the person doesn’t have humor , that actually the person is racist and that we are all equal and that the person wants to share the country. (sarcasm)
When we trivialize a racial offense as this campaign we are all monkeys does, it is actually a disservice to the black population, because if we are all jigaboos, so nobody should feel offended by the word and nobody needs to fight against it.
When authorities as the President take pictures eating a banana, the act itself legitimizes the racism trivialization without being respectful with the pain of those who have been called monkeys their whole lives, and racism becomes a joke.
However, even if these two racism cases show the different way how these countries deal with racism (one pretends that racism is already solved and the other pretends it doesn’t exist), there is something in common in both cases, the passive participation of some black people who accept this kind of racist action.
In Donald Sterling case we have the president of LA NAACP, Leon Jenkins, who affirms that the donations that Sterling did to the institution proves that the businessman isn’t racist. We also have Sterling’s girlfriend who even if knows he already did racist actions in the past is still dating him accepting this kind of attitude.
The Brazilian case bring us the figure of Neymar, young black man, who didn’t assume his blackness, even if he was also a victim of racist acts with the bananas in the past. Neymar was the one who exposed the idea of the campaign as something natural, his presence in the campaign legitimize the fact that they are exposing us in a ridiculous situation.
When they associated the act of eat a banana to the fight against racism, the pain was minimized and the struggle was trivialized. The sport show of the most important tv channel in Brazil (which is also the most racist tv channel) says that when Daniel Alves ate the banana he also ate the racism.
This is the point that Brazil didn’t understand yet, we as black people we don’t need to eat the racism, it is a poison that kills us each day. So, racism doesn’t need being eat, unlike it should be thrown away, combated with struggle and resistance. 
When we accept a racist act, it remains within us, incubates, germinating until suffocate the one who accepted it. For this reason if someone needs to die suffocated with the racism, so it is better if the suffocated person is the racist. He can die, poisoned with his hate.
Eating bananas or accept the racism will not cooperate with our struggle, unlike it will create more issues and devalues the resistance of those who have been fighting to stop racism in the society. For this reason:
Don’t eat the bananas that racists are giving to us

quinta-feira, 20 de março de 2014

Nos matam aos montes / They kill us in mass

Confesso que a escrita desse post é dolorida, por isso relutei ao máximo em escrevê-lo. Mas também pode ter sido covardia, falta de coragem em admitir que tudo isso está realmente acontecendo, como se ao não mencionar deixasse de ser verdade.
Mas não há como negar, não há ausência de escrita que vá fazer deixar de ser verdade o fato de que nossas cabeças estão a premio. Estão nos matando aos montes.
Só nos últimos meses quatro histórias se destacaram na mídia envolvendo corpos negros tratados como nada, como lixo, que pode ser descartado a qualquer momento.
O primeiro choque veio com as correntes nos postes, a tortura na calada da noite, o corpo negro exposto nu, humilhado sem defesa.
Os gritos de justiça a qualquer preço geralmente são acompanhados da negação do racismo, mas não há discurso que apague a imagem do adolescente negro tratado como bicho, sem direito a humanidade, por ter nascido pobre, por ter nascido preto, sem oportunidade.
As críticas a dor que senti (sentimos, pois acredito que você também), vieram imediatamente, afinal estávamos defendendo o marginal, o crime não tinha nada a ver com racismo, mas era a busca por um “meliante”.
O menino sem nome definido pelos jornais apenas como o menor é filho de outro jovem, negro e sem oportunidade que se viu na vida do crime e foi assassinado sem ter tempo de criar o filho. A rua, o crime, o crack foi o que sobrou para o jovem negro torturado nas ruas do Rio de Janeiro.
O vício maldito que faz milhares de vítimas no Brasil (só quem já perdeu alguém para o crack sabe a dor que é), vitimou também um outro jovem, loiro de olhos azuis no sul do país, que também roubava para sustentar seu vício. Esse não foi tratado como “o marginalzinho” pela mídia sensacionalista e com ele ninguém quis fazer justiça com as próprias mãos, ao contrário lhe deram casa, comida, roupa lavada, agência de modelos e clínica de reabilitação, pois ele era lindo demais para ser mendigo e viciado.
Ao contrário do menino negro que era “feio” e merecia ser açoitado aos sons dos clamores pela volta do pelourinho.
“Feio” também era Vinícius Romão, jovem negro, psicólogo, ator, que foi preso sem direito a explicação, por ser confundido com assaltante, afinal era negro e usava black power, porque todos os negros são iguais e usar cabelo black também é sinônimo de bandidagem. Passou 16 dias preso, sem direito a apuração e só foi solto, porque o fato de ter um pouco mais de visibilidade fez com que seu caso ganhasse força e amenizasse a fúria daqueles que já estão acostumados a matar inocentes. Pois afinal, eles nos matam aos montes.
A vítima de roubo que denunciou Vinicius, também é uma mulher negra, que já está tão condicionada a associar sua própria cor ao mal, que em meio ao nervosismo concordou com a ação da polícia, ainda que não tivesse muita certeza que havia sido aquele jovem e não outro que a roubou. É vítima da alienação do mesmo sistema racista que nos mata aos montes, se não pela morte física, mas nos mata emocionalmente.
Temos então o caso da amiga Nina Silva, escritora, administradora de empresas, ativista do movimento negro, que se viu discriminada em uma porta giratória de uma agência bancária, reclamou, foi tratada como alguém que exagera e se viu dentro de um hospital tendo que ser medicada para aplacar a dor emocional que o racismo causa.
Por último, temos o caso de Cláudia da Silva, mulher negra, mãe de quatro filhos, que cometeu o crime grave de ir a padaria comprar pão e carregar um copo de café em suas mãos. Foi baleada a curta distância e arrastada pela viatura por mais de 300 metros agonizando como nem animais mereceriam ser tratados. No sensacionalismo da mídia, Cláudia perde seu nome, virou a mulher arrastada, porque afinal a morte preta não comove mais, porque eles nos matam aos montes.
Quatro casos em pouco mais de um mês, todos seguidos de gritos esbravejados de não foi racismo, vocês veem racismo em tudo, o racista é o próprio negro e todas as outras palavras que quem vive no Brasil já está acostumado, porque afinal todos os dias nos matam aos montes, com palavras, com ações e com o maldito “racismo amigável”, que permite você ser chamado de macaco amigavelmente.
Mas não posso ser injusta, pois não é só no Brasil que nos matam aos montes. Em toda a diáspora a história se repete, já estão acostumados a exterminar corpos pretos.
Se Vinícius passou 16 dias preso sendo inocente, assim como ele tantos outros estão atrás das grades sem terem cometido nenhum crime, ou por delitos menores cuja pena já poderia ter sido cumprida há muito tempo. A história se repete aqui nos EUA, onde após quase 30 anos no corredor da morte, Glenn Ford, conseguiu sua liberdade, pois era inocente da acusação de homicídio pela qual fora preso, assim como havia afirmado em três décadas, mas ninguém deu ouvidos. Agora ele pode voltar pra sua vida. Mas que vida?
O caso de Cláudia com seu copo de café na mão, me lembra outro caso, de Trayvon Martin, que morreu porque carregava um pacote de skittles (balas) e por isso foi considerado suspeito. A sua família coube enterrar o corpo e ver o acusado sair livre e sorrindo.
Que me lembra também de outro jovem, que morreu porque ouvia música suspeita, afinal vendendo milhões ou não, o rap continua sendo música de preto.
É aqui também nos matam aos montes.
O pior de tudo é pensar que esses são apenas alguns casos que ganham visibilidade na mídia, mas que estão longe de serem casos isolados, pois onde quer que seja continuam nos matando aos montes.
Como mostram as centenas de denúncias feitas pela Campanha Reaja ou será morto, Reaja ou será morta, que tem levantado sua voz e exigido uma solução contra o genocídio da população negra, sem recuar.
Só no Brasil, foram 300 mil jovens negros assassinados em dez anos, a maioria pelo braço armado do Estado, que já está acostumado a nos matar aos montes.
E nós que estamos vivos, vamos assim morrendo por dentro, com as dores daqueles que nos são iguais, fazemos parte do “monte” que todo dia é assassinado sem direito a grito e ao clamor contra o racismo. Só me pergunto até quando nos matarão aos montes?






I need to confess that to write this post is really painful and for this reason I postponed to do it. But, I also need to confess that it happened because I’m a coward, I was not brave enough to admit that all these things are really happening, thinking that if I didn’t say it would not be true.
However, I can’t deny anymore, there is no absence of words that is going to make untrue the fact that there is a reward for our head. They are killing us in mass.
Only in these past months four histories were highlighted by the Brazilian media involving black bodies treated as nothing, as trash, that can be disposable any time.
The first shock came with chains in stop signals, the torture in the middle of the night, an exposed naked black body, humiliated without defense.
The cry for justice by any means usually are followed by a denying of racism, but there is no speech that can erase the image of the black teenager treated as an animal, without right to his humanity, only because he was born black and poor without opportunities.
The critics to the pain that I felt (we felt, because I believe that you felt too), came immediately, because we were defending a thief, and the crime wasn’t racism, but it was a search for “criminal”.
The nameless boy defined by the newspapers only as a minor is the son of another young black man without opportunities who were involved in the criminal life, who was murdered and didn’t have time to raise his kid. The streets, the crime, the crack was the legacy that the young black boy tortured in the Rio de Janeiro streets received.
The damned crack addiction make several victims in Brazil (only someone who lost someone to the drug knows how painful it is), it victimized another young man in Brazil: blond, blue eyes, in the south of the country, who also used to be a pickpocket to support his addiction. This one was not called by the sensationalist media as a “criminal”, nobody requested justice by any means, unlike they gave him a home, food, clean clothes, a modeling agency and rehab, because he was to handsome to be homeless and addict.
Unlike the black boy who was “ugly” and deserved being whipped under the sounds of the cry to bring back the public whip.
Who was also “ugly” was Vinicius Romão, young black man, psychologist, actor who was arrested without right to defend himself, when he was misunderstood as a robber, because he was black and had an afro hair, because all black people are equal and having an afro hair is a synonymous of criminality. He was in prison for 16 days, without rights for investigation and only was released because his visibility made his case stronger and it diminish the furor of those who are habituate to kill innocent people. Because, as usual they are killing us in mass.
The victim who accused Vinicius, is also a black woman, who is probably so conditioned to associate her own color with the evil, that in a nervous situation agreed with the Police action, even if she wasn’t sure that he was the man who stole her. She is also a victim of the alienation of the same racist system which is killing us in mass, not only through the physical death, but are also killing us emotionally.
In the same way, we have the case of my friend Nina Silva, writer, business woman, activist in the Black Political Movement, who suffered racism in a bank door and was treated as someone that is exaggerating and saw herself inside a hospital, receiving medication to relief the emotional pain caused by the racism.
At least, we have the case of Claudia da Silva, black woman, mother of four children, who committed the terrible crime of going to the bakery by bread carrying a glass of coffee. She was shoot in a short distance and dragged by the Police car for more than a quarter mile, dying as not even an animal should be treated.  In the sensationalist media, Claudia lost her name, became the dragged woman, because the black death isn’t able to cause emotion anymore, because they are killing us in mass.
Four cases in a little bit more than one month, they were all followed by people screaming that “these weren’t racism”, and “you see racism everywhere”, “the black person is the racist one” and all the other sentences that all those who live in Brazil are habituate to hear, because as I said they are killing us in mass, with words, with actions and with the damn “friendly racism”, which allows calling you a jigaboo in a “friendly” way.
But I can’t be unfair, because is not only in Brazil that they are killing us in mass. In the whole Diaspora the history is repeating, they are habituate to exterminate black bodies.
If Vinicius spent 16 days arrested being innocent, like him several other people are in prison without commit any crime or because they did minimal crimes for those they could be free a long time ago. The history is the same here in the US, where after almost 30 years with a death sentence, he was released, because he was innocent of the homicide accusation, as he was affirming during these past three decades, but nobody listened him. Now he can goes back to his life. But which life?
The case of Claudia with her cup of coffee on her hands, reminds me another case, of Trayvon Martin, who was murdered because was carrying a Skittles pack and for this reason was considered suspect. To his family the legacy was burry his body and see the assassin being freed with a smile on his face.
It also reminds me another case of a black boy who was murdered because he was listen a suspect music, because no matter if it sells millions or not, rap is still a black music.
Yes, here they also are killing us in mass.
The worst thing is to think that these are only few cases that got some media visibility, but that they are far from being isolated cases, because no matter where we are they are still killing us in mass.
As has been showed by the several denounces made by the campaign Reaja ou sera morto, Reaja ou sera morta (React or you will be dead), which has been raising their voice and asked a solution against the black genocide in Brazil, without turn back.
Only in Brazil, we had more than 300 thousand black youth murdered in these past 10 years, most of them by the armed wing of the State, which is already habituate to kill us in mass.
Us who are still alive, we are dying inside, feeling the pain of those who look like us, we are part of this “pack” that is murdered every day without the right to scream or to cry against racism. I only wonder  how long are they going to kill us in mass?